Julio Cortázar






Belga de pais argentinos, nasceu na embaixada da Argentina em Ixelles, distrito de Bruxelas, na Bélgica, e voltou a sua terra natal aos quatro anos de idade.

Cortázar era uma criança bastante enferma e passava muito tempo na cama, lendo livros que sua mãe selecionava. Muitos de seus contos são autobiográficos, como Bestiario, Final del juego, Los venenos e La Señorita Cora, entre outros.

É considerado um dos autores mais inovadores e originais de seu tempo, mestre do conto curto e da prosa poética, comparável a Jorge Luís Borges e Edgar Allan Poe. Foi o criador de novelas que inauguraram uma nova forma de fazer literatura na América Latina, rompendo os moldes clássicos mediante narrações que escapam da linearidade temporal e onde os personagens adquirem autonomia e profundidade psicológica inéditas.

Seu livro mais conhecido é Rayuela (O Jogo da Amarelinha), de 1963, que permite várias leituras orientadas pelo próprio autor.

Cortázar inspirou um grande número de cineastas, entre eles o italiano Michelangelo, cujo longa-metragem Blow-up foi baseado no conto As Babas do Diabo (do livro As Armas Secretas).

Formou-se Professor em Letras em 1935, na "Escuela Normal de Profesores Mariano Acosta". Em 1938, com uma tiragem de 250 exemplares, editou Presencia, livro de poemas, sob o pseudônimo "Julio Denis". Lecionou em algumas cidades do interior do país, foi professor de literatura na "Faculdade de Filosofía y Letras de la Universidad Nacional de Cuyo", mas renunciou ao cargo quando Perón assumiu a presidência da Argentina. Empregou-se na Câmara do Livro em Buenos Aires e realizou alguns trabalhos de tradução.

Cortázar casou com Aurora Bernárdez en 1953, uma tradutora argentina. Viviam em París e surgiu a oportunidade de traduzir a obra completa, em prosa, de Edgar Allan Poe para a Universidad de Puerto Rico. Esse trabalho foi considerado pelos críticos como a melhor tradução da obra do escritor.

Em 1973, recebeu o Prêmio Médicis por seu Libro de Manuel e destinou seus direitos à ajuda dos presos políticos na Argentina.

Cortázar morreu de leucemia em 1984, sendo enterrado no cemitério de Montparnasse, na mesma tumba de Carol Dunlop,sua última esposa. Em sua tumba se ergue a imagem de um "cronópio", personagem criado pelo escritor.



Sobre o livro Jogo da amarelinha





Acaso. Destino. Sorte. Fatalidade. É disso que trata O Jogo da Amarelinha. A narrativa começa no céu e acaba no inferno, principia no amor e termina na morte, quando não ao contrário. Tudo depende de por onde se entra e por onde se sai durante a leitura. Semelhante ao movimento dos móbiles, esse livro não tem um roteiro a ser seguido, mas vários, razão pela qual as personagens e situações se modificam de acordo com as escolhas que fazemos.


Livro perigoso, que cativa pela insubordinação, pela valorização do comportamento desregrado, esse mesmo que parece já não caber mais em nossa sociedade.Muito já se escreveu sobre este livro, que foi sucesso imediato de público e de crítica ao ser lançado, em 1963. A qualidade mais destacada pelos comentaristas é sempre a multiplicidade de leituras que seu texto é capaz de proporcionar.


O Jogo da Amarelinha é uma obra aberta, um romance que pode ser desmontado pelo leitor, que tem a liberdade poucas vezes concedida a alguém de refazer a seqüência de seus capítulos. "Um romance sangüíneo como o bebop", assim disse Cortázar e assim repetiram seus estudiosos mais ilustres. É claro que, como recomenda sua bula, posso ler seus 155 capítulos na ordem que preferir. Posso começar no de número 56, voltar para o de número 12 e depois correr para o de número 98. Cada combinação escolhida dá à trama e às personagens diferente colorido.


Mas se O Jogo da Amarelinha não é a obra aberta perfeita para alguns, não deixa de sinalizar aos incautos que tomem cuidado onde pisam, pois o chão é movediço. No romance tradicional, os capítulos vêm unidos como os elos de uma corrente que nem mesmo a morte consegue separar. Isso é feito para que o tempo não se disperse. Para que nossa viagem através dos dias, meses e anos faça sentido. Todo o trabalho do autor vai por água abaixo, caso o leitor resolva ler o livro de trás pra frente, ou salteado. No Jogo da Amarelinha, cada capítulo é um objeto relativamente autônomo, cujo vínculo com os demais capítulos pode ser refeito ad infinitum. Os elos da corrente continuam a existir, e é isso que dá coesão à obra. Mas são elos adormecidos, que só entram em ação no momento em que o leitor avança na leitura. Aliás, o termo avançar, como se vê, já quer dizer aqui outra coisa: saltar do capítulo 82 para o 20 é o tipo de recuo que significará sempre um passo adiante. Conseqüentemente, o tempo se torna algo distinto do que vai nos nossos relógios, algo muito mais flexível e deliciosamente brilhante.


O assunto principal é o próprio livro. Nas palavras do próprio autor, "esse livro é muitos livros, mas é, sobretudo, dois livros". O leitor pode começar do capítulo 1 e ir até o 56, tendo assim uma bem construída história sobre um triângulo amoroso. Ou pode optar por começar no capítulo 73, e começar a seguir a ordem indicada por Cortázar. Escolhendo a segunda opção, o leitor verá os acontecimentos de Maga, Oliveira, o Clube da Serpente e o narrador, e depois pode ler citações de grandes autores, textos debatendo a literatura atual, artigos sobre os personagens, desvarios, recortes de um texto maior. Tudo misturado, pulando capítulos para depois voltar aos mesmos, como se fosse um jogo da amarelinha. É um romance de fluxo de consciência introspectiva onde os personagens oscilam e brincam com a mente subjetiva do leitor, e tem várias finais.
Biografia

Raduan Nassar é paulista de Pindorama, onde passou a infância. Adolescente, veio com a família para São Paulo, onde cursou Direito e Filosofia na USP.
Depois de desempenhar diversas atividades, inclusive o jornalismo, estreou na literatura em Lavoura Arcaica, em 1975.
Três anos depois, publicava a novela Um Copo de Cólera, apesar do êxito incomum que os dois livros alcançaram, inclusive com traduções em outras línguas, Raduan Nassar abandonou a literatura para dedicar-se ao trabalho no campo.




Resumo

O enredo da obra "Lavoura Arcaica" se constitui numa trama dos costumes de uma família onde é mostrada a fuga de André, um adolescente que sempre fora criado na fazenda sob um duro modelo educativo passado por seu pai, o chefe do modelo familiar.
Tal fuga de casa pode ser entendida pelo grande amor que André sentia por Ana, sua própria irmã. Paixão esta que nunca poderia ser compreendida por seu pai. Assim, ele foge para um vilarejo.
A reação de Pedro, seu irmão mais velho, foi a de ir até a pensão onde ele estava e tentar trazê-lo de volta para sua casa na fazenda, onde sua mãe o esperava com ansiedade, sofria bastante com seu filho longe.
Ao achar André, Pedro começou a contar sobre os acontecimentos que estavam ocorrendo na fazenda sem ele. O irmão o recebeu contando lições sobre questões e preceitos da família como a história de um homem faminto que pediu comida. Demonstrou seus pensamentos, apesar de pouca idade acreditava que não valia a pena esperar em algum momento, em certas ocasiões era necessário agir, e logo. Contudo, nada disse sobre sua volta à fazenda.
Suas irmãs apenas rezavam para sua volta, cumpriam as ordens do pai e da mãe, e esta última apenas cumpria com suas funções de dona de casa.
André acaba voltando para casa, suas idéias não batiam com as dos pais que não entendiam a que se passava com o filho. E ele não aceitava a situação de amar a irmã e nada poder fazer. Porém desabafou ao pai que estava cansado, humilde, entendendo a solidão e a miséria, pedindo o seu perdão e amor.
Seu outro irmão, o Lula, acaba dizendo que também queria fugir de casa, que não aguenta mais aquela vida parada da fazenda.
No dia seguinte à chegada de André foi preparada uma festa por seu pai. E assim como iniciou a obra sua irmã Ana dança sensualmente para ele. Foi nesta festa que o pai percebeu o que realmente passava com os irmãos. Desesperado o pai sofre um ataque de tristeza e morre.





Lygia Fagundes Telles, em 14 histórias curtas, vasculha a mente e a alma de pessoas comuns que resolvem dramas pessoais, conflitos filosóficos e existenciais.


As tramas insólitas com finais abertos e indefinidos são a confirmação de que, na vida humana, nada é definitivo e explícito.
São as formigas que montam o esqueleto de um anão; são os velhinhos que se vingam da vitalidade do rapaz envenenando-lhe a comida; é o maluco que dá uma consulta a outro, fingindo-se de psiquiatra; são os ratos, que expulsam os participantes de um seminário e assumem os destinos da nação...


A crítica social, a ironia dos costumes, o humor e o ridículo das situações se fundem com uma análise do comportamento e da alma.


Um jovem casal que se transforma em passarinho e borboleta, um tigre que se humaniza convive nesta fantástica coleção com o despertar da paixão de uma menina pelo primo botânico e com amor obsessivo de Pombas Enamoradas pelo Antenor.

Não faltam regressões catárticas no "Noturno Amarelo" e em "A Sauna" e a presença da morte no sonho que se realiza no dia seguinte.


Mesmo quando é a personagem mulher que abre sua alma, Lygia F. Telles perscruta o íntimo do ser humano, quer seja a solteirona frustrada, e de sexualidade mal resolvida em "Senhor Diretor", quer seja a esquizofrenia do rapaz que reencarna a irmã em "WM", quer seja a alegria de pessoas miseráveis que se esquecem de si para se alegrarem com o ganhador de uma fortuna na televisão, em "O X do problema".


Enfim o enfoque temático e linguagem narrativa traduzem de cada conto não só a condição social, mas também o modo de pensar das personagens.







Lygia Fagundes Telles, nascida (São Paulo, 19 de abril de 1923) é uma escritora brasileira, galardoada com o Prémio Camões em 2005.


É membro da Academia Paulista de Letras desde 1982, da Academia Brasileira de Letras desde 1985 e da Academia das Ciências de Lisboa desde 1987.










































































































































CLARICE LISPECTOR

Clarice Lispector nasce em Tchetchelnik, na Ucrânia, no dia 10 de dezembro, tendo recebido o nome de Haia Lispector, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. Seu nascimento ocorre durante a viagem de emigração da família em direção à América.


EM 1922
- Seu pai consegue, em Bucareste, um passaporte para toda a família no consulado da Rússia. Era fevereiro quando foram para a Alemanha e, no porto de Hamburgo, embarcam no navio "Cuyaba" com destino ao Brasil. Chegam a Maceió em março desse ano, sendo recebidos por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e primo José Rabin, que viabilizara a entrada da biografada e de sua família no Brasil mediante uma "carta de chamada". Por iniciativa de seu pai, à exceção de Tania — irmã, todos mudam de nome: o pai passa a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia — irmã, Elisa; e Haia, em Clarice. Pedro passa a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante.

Por: Fabiano Lima